segunda-feira, 18 de março de 2013

As Cruzadas. A Expansão Cristã e o reestabelecimento das relações econômicas com o Oriente.


A partir do século IV, para os cristãos, Jerusalém e os lugares santos da Palestina passaram a ser valorizados. A peregrinação a esses locais permitia a purificação dos pecados e a salvação.
Sob o governo árabe os chamados ‘’povos do livro’’(judeus e cristãos) eram bem recebidos em Jerusalém. Mas em 1078 a cidade foi tomada por outro povo mulçumano, hostil ao cristãos. A partir do século XI, com a afirmação do Ocidente cristão, a ideia de combater os mulçumanos e, em particular, de ‘’libertar’’ os lugares santos, foi assimilada a peregrinação santificando a ideia da guerra, que passou a ser denominada de “guerra santa”. Tal ideologia de reconquistar Jerusalém do domínio mulçumano impulsionou as Cruzadas que para os cristãos em uma guerra liderada pela nobreza feudal do Ocidente. O papa Urbano II convocou príncipes e cavaleiros de toda a Europa para libertar a Palestina. Mesmo após a primeira cruzada houve a retomada da cidade pelos mulçumanos, ocorrendo assim nesse período oito cruzadas oficiais. O espírito de cruzada viveu até o século XIII, quando perdeu força sem, no entanto, desaparecer na mentalidade cristã.
Abaixo podemos observar o mapa das primeiras quatro cruzadas, entre 1095 e 1204:
Mapa das Primeiras Cruzadas.
 
Durante séculos, mulçumanos, cristãos bizantinos e ocidentais viveram uma relação pacífica. Em 1095 o papa Urbano II pretendia trocar a ajuda aos bizantinos pela retomada do controle sobre a igreja do Oriente. A convocação do papa teve grande sucesso. Abaixo temos um trecho desse apelo transcrito por Foucher Chartes, que foi testemunha dos fatos e os registrou em História de Jerusalém, escrita no inicio do século XII:
Oh, filhos de Deus! Depois de ter prometido a Deus manter a paz em vossos domínios e ajudar fielmente a igreja a conservar seus direitos[...] ireis ainda poder receber vossa recompensa aplicando vossa retidão a um assunto que interessa a Deus e a vós mesmos.[...] Na verdade, como maioria de vós bem sabe, os turcos, povo vindo da Pérsia, invadiram seu território. Avançaram até o mar Mediterrâneo e mais exatamente até o que se chama de o braço São Jorge. Na terra da România (o império Bizantino) prosseguem continuamente em detrimento das terras dos cristãos, após tê-los vencido por sete vezes guerreando contra eles. Muitos tombaram sob seus golpes, muitos foram reduzidos a escravos. Esses turcos destroem as igrejas. Eles pilham o reino de Deus.[...] Então vos exorto e vos suplico – e não sou eu quem vos exorta é o próprio senhor – a vós, arautos do Cristo, a persuadir a todos, que seja a classe da sociedade.[...] Que partam então ao combate os infiéis, que lutem agora, por uma boa causa contra os bárbaros, aqueles que se batiam contra seus irmãos e seus parentes![...] Aqui, estavam tristes e pobres; lá serão felizes e ricos. Aqui eram inimigos do senhor; lá, serão seus amigos!’’

Como resultado, alguns meses depois do pedido de Urbano II dois grandes exércitos foram formados. Começava a Primeira Cruzada. Esta Cruzada foi caracterizada por importantes mudanças, fruto da crise do sistema feudal. As cruzadas são vistas como uma "válvula de escape" para a crise provocada pela marginalização socioeconômica. Milhares de europeus marcharam em direção à "Terra Santa" obedecendo ao chamado da Igreja Católica, mas ao mesmo tempo, movidos pelo interesse na possibilidade de saque ou de conquista de terras.
O primeiro grupo em 1096 partiu do Ocidente, era formado por pessoas do povo e ficou conhecida como Cruzada Popular, por conta disso foram massacrados pelos turcos.
O segundo grupo era formado por nobres cavaleiros bem armados, conhecido como Cruzada dos Nobres. Aproveitando a desunião das forças mulçumanas, os cavaleiros reconquistaram os territórios bizantinos. Mesmo com os territórios devolvidos ao Império Bizantino não ocorreu a esperada submissão da Igreja Oriental ao papa.
O terceiro grupo ficou conhecido como Cruzada dos Reis, como era uma época de crise feudal alguns reis participaram do evento pretendendo aumentar o poder.
A quarta cruzada também conhecida como “Cruzada Bandida”, logo a expedição mais importante, por ter sido responsável pela reabertura do Mar Mediterrâneo. Esse movimento ficou conhecido como a primeira Cruzada Marítima, financiada pelos mercadores de Veneza que passaram a monopolizar o comércio com Constantinopla.
Os cruzados continuaram a guerra na Síria e na Palestina, em 1099 Jerusalém foi conquistada pelos cruzados.
Os comandantes da primeira cruzada levaram o feudalismo para o Oriente. Implantaram estados vassalos e distribuíram terras entre os cavaleiros. Contudo, os cruzados cometeram atrocidades no Oriente, a notícia dos massacres horrorizou o Islã. Entre os mulçumanos, os ocidentais passaram a ser vistos como bárbaros sanguinários. Com isso, os cruzados não conseguiram evitar a consequente perda dos territórios conquistados. Jerusalém foi reconquistada em 1187. O último Estado cristão no Oriente foi conquistado pelos mulçumanos em 1291.
O plano dos papas de unir cristãos ocidentais e bizantinos também fracassou. O imperador bizantino considerou-se o suserano dos Estados cristãos do Oriente, mas os cruzados não aceitaram se submeter a ele. As cidades como Veneza e Gênova desejavam destruir o poderio comercial bizantino. Genoveses e venezianos lucraram com a quarta cruzada, pois seus navios transportavam os cruzados e mantimentos, cobrando um preço alto. O dinheiro ganho nas Cruzadas transformou essas cidades em potência marítimas, que competiam diretamente com Constantinopla. Como os cruzados atacaram o Império Bizantino saqueando a cidade cristã Constantinopla em vez de combater os mulçumanos, a união entre Oriente e Ocidente se tornou impossível.
A imagem abaixo apresenta um modelo de como eram organizadas as Cruzadas. 
 

APROFUNDANDO OS ESTUDOS: QUESTÕES DE VESTIBULAR.

1) (FUVEST) Com relação às Cruzadas, é correto afirmar que:
a) representam, em última instância, a crise do sistema feudal;
b) a Primeira Cruzada foi convocada por Inocêncio III;
c) a Terceira Cruzada conquistou a cidade de Jerusalém;
d) a Quarta Cruzada foi conduzida por Ricardo Coração de Leão;
e) Dandolo, doge de Veneza, fez um acordo com o sultão Saladino durante a Sexta Cruzada.

2) (MAUÁ) Questão discursiva: Relacione entre si a Igreja, as Cruzadas e a cavalaria medieval.

3) (CV) A crise do sistema feudal pode ser explicada:
a) a partir do desenvolvimento comercial, que gerou a economia monetária e desintegrou a economia natural;
b) a partir da contradição do próprio sistema feudal, cujas relações de trabalho eram incompatíveis com a ampliação do mercado de trabalho;
c) pelo desenvolvimento da economia de mercado capitalista, que liquidou a economia de consumo feudal;
d) pelo surgimento das cidades e a consequente atração dos servos para os núcleos urbanos, despovoando o campo;
e) por causa de centralização do poder político, que liquidou o poder senhorial.

Resolução:
1) Letra A
2) A cavalaria medieval constituía um conjunto de práticas e atitudes, formando um verdadeiro código de conduta que os nobres deveriam cumprir. As regras da cavalaria forma inspiradas pela Igreja com o fito de amenizar a violência da época e, durante a crise do feudalismo e a marginalização social dela resultante, contribuíram para canalizar a nobreza européia para as Cruzadas.
3) Letra B

BIBLIOGRAFIA:
Livro de História Ser Protagonista, Volume Único, Editora SM, 2010.
Livro de História Pelos Caminhos da História, Volume Único, Editora Positivo.
Sites de pesquisa:
http://www.historianet.com.br
http://www.coladaweb.com/exercicios-resolvidos/exercicios-resolvidos-de-historia/a-baixa-idade-media-cruzadas
 

domingo, 17 de março de 2013

IDADE MÉDIA: O feudalismo

Contexto Histórico:
Por volta do século III, o Império Romano começou a entrar em declínio devido à falência do modelo escravista, do início das invasões bárbaras, e das consequentes guerras entre romanos e bárbaros. A crise econômica assolava as cidades romanas, além da forte insegurança gerada pela presença dos povos invasores que frequente saqueavam e ocupavam de vários territórios europeus. Assim, muitos senhores ricos – patrícios, migraram para suas propriedades no campo, em busca de uma vida mais tranquila e segura. Tal êxodo, ou processo de ruralização, foi aumentando cada vez mais ao longo dos anos, até efetivamente culminar no período que foi chamado feudalismo. Durante o feudalismo, boa parte da população que fugia das grandes cidades começou a se refugiar nos feudos em busca de terras para plantar, e em troca de proteção e subsistência, entregavam parte da produção ao senhor, surgindo como base das relações de produção a servidão.
A chamada Idade Média teve inicio no século V, sendo que o sistema feudal totalmente organizado remonta do século IX, principalmente na Europa ocidental. Sendo a transição entre o Império Romano e ao feudalismo bastante gradual, sem características marcantes de divisão entre as duas, mas sim um processo lento de transformação e adaptação a um novo modelo político econômico e social centrado na terra, na descentralização política e na relação entre senhores feudais e servos, sob forte domínio e controle da igreja Católica que detinha enquanto poder a religião como o último elo de pertencimento a um império dividido e assolado pelas guerras e invasões bárbaras.
Características Gerais:
O feudo correspondia a terra de domínio do senhor feudal. Os indivíduos que nela trabalhavam serviam e deviam obediência ao senhor feudal. Pode-se considerar feudalismo como um regime de produção, que consiste em uma imposição pela força de obrigações ao produtor, em retribuição a certas exigências econômicas ou laborais. A sustentação do sistema feudalista se baseia no trabalho servil, no qual os camponeses têm obrigações para com os proprietários de terras para que pudessem utilizá-las, em troca pagariam tanto com seu trabalho nas terras do senhor como também com parte da sua produção agrícola. Possuir um feudo era ter o poder tanto sobre as terras quanto sobre os que dela dependiam, o que garantia ao senhor feudal o título de suserano.


Estrutura de um feudo
Geralmente os feudos dividiam-se em 3 áreas: pertencente ao senhor feudal e onde os servos trabalhavam; a terra comum, matas e pastos utilizados tanto por senhores como pelos servos; e o manso servil ocupado pelos servos era dividido em áreas denominadas “glebas” de onde metade de toda produção deveria ser destinada ao senhor feudal ( que incluía a talha como um imposto onde os ervo deveria dar ao senhor grande parte de sua produção). Existiam também outros dois tipos de impostos: a corvéia que era o pagamento por serviços nas instalações do senhor como castelo, trabalho no moinho e construção de muro, por exemplo, e as banalidades que correspondia ao pagamento pela utilização das instalações do castelo como forno, moinho, etc.
A extensão territorial dos feudos é bastante variável, podendo corresponder a apenas uma fazenda, como também a grandes áreas, semelhantes a cidades.

Feudo

Existia também um tipo de relação chamada de vassalagem, a qual se baseava num acordo entre nobres, feito através de uma cerimônia chamada de homenagem em que ambos juravam proteção mútua. Desta forma o grande senhor feudal cedia parte de suas terras para que os vassalos fizessem seus próprios feudos, cabendo a ambos proteger uns as terras dos outros. O senhor que cedia terras era chamado suserano, e os que as recebiam eram chamados vassalos.
A economia feudal era basicamente agrícola. A produção era o principal objeto de troca, até existiam moedas, mas a descentralização dos feudos fazia com que cada feudo tivesse a sua própria moeda que muitas vezes não era válida em outros territórios, só no feudo de origem.
As principais classes sociais eram a nobreza e os camponeses. Os nobres eram os donos de terras, os quais as administravam explorando a mão de obra de seus servos, além de possuírem exércitos responsáveis por manter a segurança em seu território. Os servos utilizavam as terras cedidas pelos senhores, pagando por seu uso com seu trabalho e parte da sua produção. Existiam ainda os vassalos - cavaleiros vinculados aos nobres que geralmente correspondiam a uma espécie de classe intermediária, uma vez que tinham terras cedidas pelo senhor, e em troca havia um acordo de proteção mútua, logo tinham seus próprios feudos, na prática. O clero acabava se encaixando nas duas principais classes, como o alto clero pertencendo à nobreza, e baixo clero à servidão, mas isso dentro das propriedades próprias da Igreja Católica.
Pirâmide Social


Esquema de relações sociais
As guerras entre os senhores eram frequentes, sendo inclusive formas de obter mais terras, e consequentemente, naquela época, mais poder. Os senhores possuíam exércitos de cavaleiros corajosos e destemidos para proteger suas terras. Os castelos feudais eram bastante fortificados, como uma forma de proteger a população de possíveis investidas de outros feudos ou invasões dos povos bárbaros.


Castelo feudal
A Igreja Católica possuía um poder hegemônico sobre a população, tanto de nobres quanto servos, uma vez que era através dela que era fornecida a educação aos filhos da nobreza. A Igreja também mantinha a ideologia católica na sociedade feudal através da disciplina, educação e cultura cristã. A ciência ainda era muito incipiente, sendo praticamente esmagada pelos preceitos criacionistas e teocentristas. Durante a Idade Média a Igreja Católica foi acumulava poderes, muitas terras, possuía seus próprios servos e vassalos, o que aumentou ainda mais o seu poder no campo social, político e econômico.

Classes centrais: monge que controlavam a religião, cavaleiros que garantiam a proteção e servos que trabalhavam.
A Idade Média foi marcada pelo poderio da religião católica em detrimento da ciência e pensamento humano, além disso, foi um período de forte opressão às populações mais pobres por parte dos nobres, proprietários de terras. Os feudos se caracterizaram como unidades territoriais autossuficientes, descentralizadas cuja base econômica era a agricultura. Durante anos a Europa Ocidental sustentou um sistema ruralizado que esvaziou cidades e enfraqueceu o comércio. Tal situação será modificada com a uma crise que assolara o feudalismo, mas esta já é outra História... 
Texto escrito por Ana Luísa Suzarte Campelo

APROFUNDANDO OS ESTUDOS: QUESTÕES DE VESTIBULAR.

1) (FUVEST) Politicamente, o feudalismo se caracterizava pela:

a) atribuição apenas do Poder Executivo aos senhores de terras;
b) relação direta entre posse dos feudos e soberania, fragmentando-se o poder central;
c) relação entre a vassalagem e suserania entre mercadores e senhores feudais;
d) absoluta descentralização administrativa, com subordinação dos bispos aos senhores feudais;
e) existência de uma legislação específica a reger a vida de cada feudo.

2) (PUC) A característica marcante do feudalismo, sob o ponto de vista político, foi o enfraquecimento do Estado enquanto instituição, porque:

a) a inexistência de um governo central forte contribuiu para a decadência e o empobrecimento da nobreza;
b) a prática do enfeudamento acabou por ampliar os feudos, enfraquecendo o poder político dos senhores;
c) a soberania estava vinculada a laços de ordem pessoal, tais como a fidelidade e a lealdade ao suserano;
d) a proteção pessoal dada pelo senhor feudal a seus súditos onerava-lhe as rendas;
e) a competência política para centralizar o poder, reservada ao rei, advinha da origem divina da monarquia.

Gabarito
1- b
2- c

BIBLIOGRAFIA:
Sites de Pesquisa:
http://www.bussolaescolar.com.br/historia_geral/feudalismo.htm
http://www.infoescola.com/historia/feudalismo/
http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/feudalismo.htm
http://www.suapesquisa.com/feudalismo/
http://queconceito.com.br/feudalismo#ixzz2NGsDLsLK
http://historiauniversal.no.comunidades.net/index.php?pagina=1302604111

terça-feira, 12 de março de 2013

Exercícios de Revisão. Primeira República e Estado Novo.

Olá Turma!
Segue abaixo o arquivo dos nossos exercícios de revisão para P1 do primeiro bimestre que se aproxima!
Inclui o gabarito comentado das questões objetivas.
Bons estudos!
Profa. Clarissa